Olhar dinâmico
Nonato Reis
nonatorreis@bol.com.br
Coluna publicada no jornal Atos e Fatos
Morte anunciada
Ricardo Murad ainda dá os últimos suspiros como um náufrago que a todo custo tenta agarrar-se a uma tábua de salvação. Sua candidatura a prefeito de São Luís, no entanto, está sepultada. Mesmo nos momentos de maior propulsão, empurrado pelo motor da máquina pública, o ex-gerente conseguiu obter um padrão de estabilidade que lhe garantisse sobreviver. Para muitos ou a quase totalidade dos que se debruçam sobre a cena eleitoral o projeto de Murad em São Luís nunca evoluiu para algo maior que um balão de ensaio.
Os fatos comprovam que o espaço político oferecido a ele, com a nomeação para a Gerência Metropolitana, não passava na verdade de um campo minado. O governo e seus aliados sabiam que, dando linha a Ricardo, oferecendo-lhe a doce ilusão de poder, ele próprio estaria se destruindo. Com seu estilo desagregador, em pouco tempo o gerente fez um estrago danado na sua incipiente base de sustentação. Partidos que antes juravam caminhar com ele na campanha começaram a refazer seus planos.
O primeiro foi o PMDB de João Alberto e Gastão Vieira, que abriu suas portas para receber João Castelo. Fontes ligadas ao partido dão como certa a indicação de um quadro da sigla para compor a chapa com o tucano. Pode ser Ivan Sarney, Roberto Costa ou mesmo Gastão. Ou nenhum deles. Isso na hipótese de o PFL de Roseana também vir a engrossar esse arco de forças. Certo mesmo é que Ricardo está cada vez mais alçado à margem da disputa.
O sinal mais recente da agonia do ex-gerente foi emitido pela deputada Telma Pinheiro, ao lançar o próprio nome e marcar reunião para redefinir os rumos do partido. Sem a menor cerimônia, Telma disse aos jornalistas que Ricardo perdeu força e que o PFL se sente à vontade para redesenhar a sua trilha. Não mencionou a possibilidade de aliança com Castelo, mas na intimidade do clã Sarney esse assunto ganha corpo e já é tratado sem maiores ressalvas. O único problema na celebração do acordo é de natureza subjetiva. Castelo ainda não inspira total confiança, mas isso, dizem, surge com o tempo.
A busca de uma candidatura de consenso é vital para o grupo governista. Os caciques sabem que a cisão só favorece o prefeito Tadeu Palácio, que tem uma imagem sólida junto ao eleitor e conta com o apoio decidido do PDT, em que pese insatisfações periféricas. Levando o seu grupo para Castelo, Sarney tem a chance de eleger afinal um prefeito em São Luís e, o que é melhor, abortar o pleito no primeiro turno.
Quanto ao cunhado de Roseana, ele confidenciou a aliados que nesta semana terá uma conversa objetiva com Sarney. Se não ficar claro a reunificação do grupo em torno dele, entrará na disputa sozinho, mesmo correndo o risco de ser tachado de laranja. Quem o conhece não vê nenhuma surpresa nessa reação. Ricardo não costuma recuar mesmo quando tem um oceano de dificuldades pela frente. Pior para si. Em artigo de um mês atrás, disse que o ex-gerente já havia morrido e nem se dava conta. Era a crônica de uma morte anunciada.
Corte não
José Reinaldo bem que tentou mas não conseguiu convencer os presidente da Assembléia e do Tribunal de Justiça a meter a faca no volume de despesas de um e de outro poder. Tanto Milhomem como Milson Coutinho disseram compreender as dificuldades do governo e até prometeram colaborar no que for possível, mas informaram ao governador que já efetuaram os ajustes necessários e que suas contas estão rigorosamente dentro dos parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal. Falta o Executivo fazer o seu dever de casa.
Frases
"O Maranhão está como rabo de cavalo, só cresce para baixo"
Do deputado Domingos Dutra (PT), criticando os indicadores sociais do Estado
"É o claro desejo de todo mundo que essa situação agora seja normalizada o mais rápido possível"
Do Papa João Paulo II, defendendo o retorno rápido da soberania ao povo iraquiano
Nonato Reis escreve aos domingos neste espaço
Escrito por Nonato Reis às 14h27
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